" Todos somos iguais e na realidade, as diferentes raças humanas se tornam algo superficial, já que todos nós viemos do mesmo lugar e possuímos um laço familiar com uma mesma mulher. A razão pela qual nos vemos diferentes uns aos outros deve-se a diferenças ambientais e a mudanças de nossa pele e cultura no decorrer dos anos... contudo, somos todos iguais!" (mother of us all.)

Terça-feira, Maio 29, 2012

Como integrar autistas com não autistas

 
* Dra. Carla Gikovare

Programas de inclusão social através de colegas não autistas


Ø Formar grupos com pelo menos um não autista para cada autista para encontros de 20 minutos três vezes por semana. O ideal é que o companheiro não autista tenha ou mais anos de idade. Após a atividade o grupo lancha junto.
Ø Deve ser feito um programa de prioridades a serem trabalhadas para cada autista (ex. permitir a proximidade de outros, aprender a participar de uma roda). A família deve trabalhar concomitantemente no mesmo objetivo.
Ø Desenvolver atividades muito interessantes, sempre com novidades para promover um ambiente especialmente positivo para todos. Deve haver uma rotina nas atividades. Dar prioridade para atividade que requeira a participação de todos (formar grupos com a mesma tatuagem ou colante na roupa ou formar um ônibus com os participantes). Deve-se evitar tarefas que exijam linguagem complexa ou coordenação motora fina.
Ø O adulto interfere na atividade através de modificações do ambiente (manter um espaço limitado; identificar visualmente onde devem ficar) ou por dicas dadas para a criança não autista.
Ø Combinar antecipadamente com todos os participantes e familiares qual o tema do próximo encontro (ex. todos devem usar sua core preferida ou todos devem trazer algum objeto relacionado com páscoa / natal). A família deve estimular o assunto até o próximo encontro.
 
 Orientação para crianças não autistas que convivem com autistas

Ø Explicar que existem crianças que querem brincar com outras crianças mas que não sabem como fazer isto. Elas não sabem como fazer amigos e não sabem falar muito bem. Por isto elas precisam de ajuda.
Ø Provavelmente as crianças dirão quem são estas crianças na turma.
Ø Orientar para caso eles vejam que esta criança está sozinha durante uma atividade ou recreio, podem tentar pegá-la pela mão para trazê-la até o grupo. Mas que é importante ser persistente pois a criança pode não responder prontamente.
Ø Para brincar com esta criança o ideal é tentar fazer inicialmente a mesma coisa que ela estiver fazendo e aos poucos tentar ir mudando para algo diferente que você quer fazer
Ø Falar devagar e com frases curtas. Brinque falando o que você está fazendo e o que pretende fazer.
Ø Oriente a ignorar os comportamentos estranhos como as estereotipias ou os gritos.
 

Atividades para autistas de alto funcionamento


Ø Ensinar habilidade social como se apresentar, como pedir algo, como comprar alguma coisa.
Ø Trabalhar empatia
Ø Trabalhar as diferentes visões de uma mesma estória. Nem sempre o que ele sabe e gosta é o mesmo que os outros gostam e sabem.


Fonte:  http://www.carlagikovate.com.br

Atividade Física e Síndrome de Down

 

Para os profissionais que vão trabalhar com essas crianças é preciso conhecer muito bem as características físicas para melhor executar o seu trabalho, são elas: Olhos – pálpebras estreitas levemente oblíquas com prega de pele no canto interno chamadas de prega epicântica. Íris – pequenas manchas brancas chamadas de manchas de Brushfield. Cabeça – geralmente menor e a parte posterior levemente achatada. Boca – pequena e muitas vezes se mantém aberta com a língua projetando-se para fora. Mãos – curtas e largas. Musculatura – de modo geral mais flácida. Orelhas - pequenas e conduto auditivo estreito. Dedos dos pés – geralmente curtos com espaço maior entre o dedão e o segundo dedo. Algumas crianças têm pés chatos.

É importante lembrar que não existem diferentes graus de Síndrome de Down. As crianças maiores vão ser mais ou menos desenvolvidas de acordo com as oportunidades dadas pela sociedade durante o seu crescimento. Elas se desenvolvem de maneira bastante semelhante às crianças normais, porém com um ritmo um pouco mais lento.
 Entre os profissionais de saúde da equipe multidisciplinar o fisioterapeuta e o de Educação Física cuidarão do desenvolvimento psicomotor em cada etapa. A hipotonia é uma característica presente desde o nascimento e tem origem no sistema nervoso central afetando toda a musculatura e os ligamentos. Espontaneamente tende a diminuir com o passar dos anos, mas essa recuperação pode ser acelerada com estímulos adequados desde o nascimento. Como toda criança, as portadoras da Síndrome irão controlar a cabeça, rolar, sentar, arrastar, engatinhar, ficar de pé, andar, correr, saltar e arremessar, exceto se tiver outro problema além da Síndrome de Down. Elas irão brincar e explorar toda variedade de movimento dominando o equilíbrio, a postura, a coordenação motora e a noção espacial desde que tenham espaço. Portanto, as crianças com Síndrome de Down precisam de cuidados, não de exageros a ponto de deixá-las isoladas do mundo.

Esse trabalho psicomotor, segundo orientação do Ministério da Saúde encaminhado aos profissionais, deve enfatizar: o equilíbrio, a coordenação de movimentos, a estruturação do esquema corporal, a orientação espacial, o ritmo, a sensibilidade, os hábitos posturais e os exercícios respiratórios. As brincadeiras na areia com diversos tipos de material estimulam a sensibilidade e a criatividade. Outras brincadeiras comuns na infância tais como pular corda, jogar amarelinha, jogos de imitação, brincadeiras de roda, subir em árvores, caminhadas longas, brincar no parque no balanço, escorregador e gangorra fazem parte do estímulo psicomotor global. Claro, tudo tem que ser acompanhado de perto, mas sem interromper a criatividade e a audácia da criança. A interferência só deve existir quando houver risco à saúde ou de vida, mesmo porque não dá para prever o quanto cada uma irá desenvolver. Erroneamente no passado essas crianças eram rotuladas como deficientes mentais e hoje se sabe que elas apenas têm um desenvolvimento mais lento. Elas devem ter acesso à atividade física regular.


A Síndrome de Down tem algumas características importantes na questão da saúde diretamente relacionadas com a atividade física adequada caso a caso, são elas:

Cardiopatias congênitas – Podem estar presentes em 50% dos casos. A criança deve passar, logo ao nascimento, por um minucioso exame cardiológico a fim de detectar qualquer alteração na estrutura e funcionamento do coração e ser corrigido o mais breve possível. Os mais comuns são um defeito do canal atrioventricular, a comunicação interventricular ou inter-atrial e a Tetralogia de Fallot. Mais tarde alguns sinais podem ser indicadores de problemas não manifestados antes, tais como o baixo ganho de peso, desenvolvimento mais lento quando comparadas a outras crianças com a mesma Síndrome, malformações torácicas, cianose de extremidades e cansaço constante.
As atividades aeróbias são bem indicadas desde que a criança esteja liberada pelo médico. Caso haja restrições o profissional de Educação Física deve saber quais são e, se possível, fazendo a troca de informações direta com o médico da criança.


 Problemas Respiratórios – Quando não existir impedimentos médicos a natação é bastante aconselhada por conta de um trabalho preventivo do sistema respiratório. As crianças com a Síndrome de Down são suscetíveis a constantes resfriados e pneumonias de repetição por causa de uma predisposição imunológica e à própria hipotonia da musculatura do sistema respiratório. Como o uso repetido de antibióticos é desaconselhável os exercícios de sopro, a respiração forçada na água e todos que aumentem a resistência cardiorrespiratória são sugeridos especialmente nos períodos de boa saúde da criança. Como a natação por si só, não é uma atividade natural do ser humano, tendo que aprender a dominar as características físicas da água para flutuar, se deslocar e respirar, para as crianças com Down já representa mais um desafio que elas normalmente se adaptam com facilidade. Além disso, associa-se o cuidado com a higiene nasal e manobras que evitem o acúmulo de secreção. À essas crianças não deve ser imposta regras fixas. Através de brincadeiras na água elas podem exercitar o fundamento específico. No caso da natação, deve-se ter também mais cuidado com as possíveis inflamações de ouvido, uma vez que 60 a 80% dessas crianças apresentam rebaixamento auditivo uni ou bilateral podendo causar desde leves déficits auditivos até aumento de cera no canal do ouvido e acúmulo de secreção.

 Instabilidade Atlanto-Axial (Coluna Cervical) – Trata-se de um espaço maior entre a 1ª e 2ª vértebras, respectivamente Atlas e Áxis, que essas crianças podem apresentar por conta de alterações anatômicas e pela hipotonia dos músculos e ligamentos do pescoço. O exame de Raios-X a partir de dois anos e meio a três nas posições de flexão, extensão e neutra tira a dúvida e conduz ao tratamento certo. Em função disso as atividades de impacto e os movimentos bruscos que podem ocorrer no nado golfinho, nas cambalhotas e equitação são contra indicados. No caso da equitação as crianças liberadas pelo médico podem e devem praticar, com bons resultados. 


Tireóide – A obesidade e o atraso no desenvolvimento geral da criança pode ter como causa o hipotireoidismo presente em 10% das crianças e 13 a 50% dos adultos com a Síndrome. Isso tem controle na grande maioria dos casos.

A Visão – Os índices apontam que 50% têm dificuldade para enxergar longe e 20% para perto. Nada que não possa ser solucionado desde a infância.

As crianças com Síndrome de Down se desenvolvem normalmente se acompanhadas, tratadas e estimuladas cedo. Vários trabalhos mostram que as respostas fisiológicas induzidas pelo exercício físico são semelhantes às não portadoras e a expectativa de vida aumentou a partir do acesso à informação ajudando a quebrar o preconceito.

A respiração requer atividade constante dos músculos escaleno, intercostais internos e externos ajudando a reverter a hipotonia muscular. Além disso, existe consenso entre os fisiologistas apontando a natação como uma das melhores atividades capazes de desenvolver a capacidade cardiorrespiratória. Essa valência física é essencial para as atividades funcionais do ser humano. Ou seja. Andar, correr, brincar, passear, subir escadas, trabalhar e viver normalmente sem se cansar.

Existem poucos trabalhos nessa área, entretanto um dos disponíveis na Internet conduzido pela professora Rita de Cássia P. P. Homem e Jônatas F. Barros, da Faculdade de Educação Física UnB. Através de testes em ciclo-ergômetro, mediram o consumo sub-máximo de oxigênio e a ventilação-minuto sub-máxima de 23 indivíduos, sendo 11 do sexo masculino e 12 do sexo feminino, com idades variando entre 14 e 43 anos portadores da Síndrome de Down participantes de atividades esportivas no Núcleo de Atendimento Esportivo para Pessoas Portadoras de Deficiência Mental (NAEPPDM) da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília (UnB). O objetivo foi comparar a capacidade cardiorrespiratória dos indivíduos praticantes da natação com os praticantes do tênis de campo, atletismo, escalada, hóquei sobre piso, handebol e futebol de salão, pelo menos 50 minutos três vezes por semana, atividades oferecidas pelo Núcleo. Embora o resultado não tenha sido expressivo, na população estudada o grupo da natação demonstrou maiores níveis de aptidão cardiorrespiratória. Além disso, o grupo alcançou o percentual de freqüência cardíaca proposto pelo teste enquanto os praticantes das outras modalidades interromperam o teste antes de alcançar o objetivo. O trabalho mostrou os meninos possuindo capacidade cardiorrespiratória maior que as meninas e todas, em qualquer modalidade esportiva, fisiologicamente falando se desenvolvem da mesma forma que as não portadoras.
O fato das crianças praticantes das outras modalidades ter interrompido o teste não significa incapacidade. Se comparadas com as que, por vários motivos não fazem atividade física, ainda assim possuem capacidade cardiorrespiratória maior.

Um outro estudo conduzido por Alessandra Deboletta, Regina Célia D. Galvani e Paula A. Magnani Seabra da Universidade de Marília concluiu que portadores da Síndrome se interessam pela atividade física. No caso o estudo foi realizado entre freqüentadores da APAE das cidades de Pompéia e Marília SP tendo como objetivo relacionar a prática da atividade física com a melhora intelectual e rendimento nas outras aulas. O resultado apontou que 24% dos portadores preferem o futebol seguido por 20% do basquete e 20% a natação e todos obtiveram melhora substancial no relacionamento e rendimento nas outras aulas. Isso ressalta a importância do profissional de Educação Física conduzir a atividade física para as preferências das crianças pensando no desenvolvimento global e não o rendimento puramente esportivo.
Outra atividade apresentando ótimos resultados físicos e psíquicos aos portadores da Síndrome é a equoterapia. O andar à cavalo induz à execução de movimentos tridimensionais horizontais (direita, esquerda, frente e trás) e verticais (para cima e para baixo) atuando no sistema nervoso profundo responsável pelas noções de equilíbrio, distância e lateralidade dando à criança confiança e coordenação. Importante. A equoterapia só é permitida ao portador da Síndrome que não tenha instabilidade Atlanto-Axial. No mais, é deixar as crianças se desenvolverem com cuidado, sem exageros e sem preconceito.
Outra atividade apresentando ótimos resultados físicos e psíquicos aos portadores da Síndrome é a equoterapia. O andar à cavalo induz à execução de movimentos tridimensionais horizontais (direita, esquerda, frente e trás) e verticais (para cima e para baixo) atuando no sistema nervoso profundo responsável pelas noções de equilíbrio, distância e lateralidade dando à criança confiança e coordenação. Importante. A equoterapia só é permitida ao portador da Síndrome que não tenha instabilidade Atlanto-Axial. No mais, é deixar as crianças se desenvolverem com cuidado, sem exageros e sem preconceito. 

A atividade física é de fundamental importância na qualidade de vida de qualquer ser humano e nas crianças com a Síndrome não é diferente. Também vimos de que forma e porque a natação e a equoterapia podem beneficiar o desenvolvimento assim como a variedade de atividades de acordo com a preferência da criança.
Como a musculação e/ou a ginástica localizada aumentam a resistência muscular, se caracterizando numa atividade que pelo menos teoricamente poderia influenciar de modo positivo na melhora da hipotonia muscular que afeta as crianças com a Síndrome, seria essa atividade indicada? Teoricamente sim e existe trabalho publicado pela professora Mestre e Doutoranda em Educação Especial Maria Georgina Marques Tonello da UFSCar e colaboradores. Embora o trabalho tenha sido feito com apenas um voluntário, o treinamento promoveu aumento desejado da resistência muscular localizada de todos os grandes grupos musculares envolvidos: peitoral, costas e abdome. Entretanto, também proporcionou alterações em outras medidas antropométricas tais como o peso corporal, dobra cutânea subescapular, circunferência do tórax, da cintura, do antebraço direito, do quadril e massa magra, o que sugere mais estudos posteriores.

O treinamento da resistência muscular foi priorizado visando a melhora das atividades funcionais do ser humano que no caso melhorou: andar, correr, brincar, subir e descer escadas, passear, trabalhar e etc. sem se cansar.
Sabe-se que outro problema acompanhando as crianças com a Síndrome é a obesidade com origem na disfunção da tireóide. Sobre isso os professores Hernán Ariel Villagra e Laura Luna Oliva (Espanha), realizaram um grande estudo com 504 crianças de ambos os sexos com idades variando entre 6 e 17 anos afetadas com a Síndrome, todas alunos de colégios específicos de Educação Especial de comunidades autônomas de Madrid. Eles compararam o índice gordura corporal entre as crianças que não praticam atividades físicas com as que praticam atividades generalizadas e a natação. O resultado mostrou que as do grupo não praticantes têm índices de gordura maior e entre os grupos das atividades generalizadas e a natação o índice é menor com ligeira vantagem para as atividades gerais.

Ficou claro que os problemas de obesidade se acentuam na adolescência entre 15 e 16 anos para ambos os sexos havendo mais concentração de gordura central sugerindo incentivo maior de prática de exercícios físicos nessa fase. Sabe-se que gordura central está relacionada com possíveis problemas cardíacos para qualquer pessoa, imaginem para as portadoras da Síndrome. Enfim, como falamos durante todas as matérias as crianças com a Síndrome de Down necessitam de cuidados, não de isolamento.


Fonte: http://www.copacabanarunners.net

A PSICOPEDAGOGIA FRENTE AO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO: ÂMBITO DA PSICANÁLISE E NEUROPSICOLOGIA


* Simone dos Santos Antonio

A psicopedagogia é uma área que prepara para educar e ensinar. Esse profissional é aquele que faz a intervenção, quando necessária, principalmente na educação infantil, tem um papel crucial nas soluções de problemas no processo de ensino-aprendizagem.
A epistemologia genética é uma teoria desenvolvida pelo biólogo Jean Piaget, que sempre viu a educação como sendo uma condição essencial para o alcance da liberdade do homem. Sua maior contribuição foram os estudos voltados ao conhecimento e aos mecanismos que os produzem. Nota-se a necessidade de destacar o significado do nome dado por Piaget a sua teoria, “epistemologia genética”, que em poucas palavras seria definida como a teoria da origem do conhecimento. Conforme Balestra (2007) surgiu esse nome pelo fato do mesmo afirmar sempre que “não há gênese sem estrutura, nem estrutura sem gênese”. 
Piaget sempre sonhou com uma sociedade mais justa e igualitária e com sua teoria ele contribuiu para que essa sociedade se desenvolvesse principalmente com os seus estudos sobre a formação e o desenvolvimento mental da criança, permitindo que a prática pedagógica se adequasse.


A psicanálise por sua vez, foi desenvolvida por Sigmund Freud em 1896 e é utilizada em diferentes áreas da educação, tornou-se um conhecimento indispensável ao educador para se fundamentar em determinadas práticas educativas. Assis (2007) ressalta que se torna difícil, ou até mesmo, impossível, educar o mundo sem aplicarmos o conhecimento que a psicanálise nos traz. Acrescenta ainda que os objetos de estudos dessa teoria são: a constituição do sujeito; determinação de pulsões, dos desejos e dos outro no processo de desenvolvimento; mecanismo de defesa; fases do desenvolvimento psicossexual.


Na Neuropsicologia vamos identificar o cérebro como o maior instrumento da evolução humana e que devemos exercitá-lo sempre para que o mesmo tenha utilidade. Nosso cérebro é dividido em dois hemisférios, porém trabalham em conjunto, principalmente no exercício do nosso foco, ou seja, a aprendizagem.
Através da neuropsicologia é lançado um desafio aos educadores, o de conhecer o cérebro de seus aprendizes e o seu funcionamento, pois cada um apresenta suas particularidades e características.

DESENVOLVIMENTO
1. O papel da afetividade: um fator de aprendizagem
Existe um paralelo constante entre a vida afetiva e a inteligência no período que vai da infância à adolescência dos seres humanos. (BALESTRA, 2007, p. 47)
Nas décadas de 1950 e 1960, Henri Wallon, desenvolveu uma teoria em que a afetividade ocupava um lugar de destaque no processo de aprendizagem. O autor afirmar que a afetividade (interações culturais) e a inteligência (interações pessoais) desenvolvem-se juntas desde o primeiro ano de vida da criança.
A afetividade é muito importante, assim como no ambiente escolar, pois contribui para o processo ensino-aprendizagem, considerando que o professor não só deve transmitir conhecimentos, mas sim ouvir os alunos e estabelecer uma relação de troca.
Moura (2005) afirma “Afetividade no ambiente escolar é se preocupar com os alunos, é reconhecê-los como indivíduos autônomos, com uma experiência de vida diferente da sua, com direito a ter preferências e desejos nem sempre iguais ao do professor”.

O afeto na epistemologia genética
Para Jean Piaget, o afeto desempenha um papel essencial no funcionamento da inteligência, afirma que o mesmo é uma energia para o desenvolvimento cognitivo. Sendo assim, dividiu a afetividade em fases de acordo com o desenvolvimento da criança:

• De O anos a 2 anos: a afetividade está voltada para o “Eu”, as carências da criança são marcadas pelas necessidades orgânicas;

• De 3 anos à 6 anos: interligada com o desenvolvimento da inteligência, a afetividade se manifesta com noção de “permanência do objeto”. Nessa fase se manifesta sentimentos de antipatia e simpatia em suas relações interindividuais e suas atitudes afetivas e intelectuais são de submissão em relação ao adulto;

• De 7 anos aos 11 anos: as sensações de sucesso ou fracasso dos atos intencionais, dos esforços e dos interesses são acompanhados dos sentimentos de alegria e tristeza. Os estados afetivos estão ligados às ações da própria criança e podemos perceber o surgimento de novos sentimentos morais, submetidos à influência da própria vontade e a tendência ao autoconhecimento;
Conforme Balestra (2007) a avaliação do psicopedagogo diante do desempenho escolar, é preciso identificar se o(s) problema(s) decorre(m) de uma limitação cognitiva ou de uma limitação afetiva. Cabendo ao mesmo averiguar de onde vem a dificuldade da criança.


O afeto na psicanálise

No contexto dessa corrente o afeto é que determina a aprendizagem, pois é ele o grande responsável pela geração do desejo de saber no ser humano. Sigmund Freud especifica, de acordo com Moura (2005) que a afetividade influi na construção do conhecimento de forma essencial através da pulsão de vida e da busca pela excelência.
Winnicott, médico pediatra foi o pioneiro da psicanálise de crianças na Grã-Bretanha, apesar de situar-se como um psicanalista freudiano, discordava em muitos aspectos do pai da psicanálise, Freud. Winnicott verificou a importância fundamental do afeto materno à criança, ao observar que quando elas são provadas desse afeto, tende a cair em depressão e comportamento anti-sociais, a fim de encontrar por trás desses atos uma boa mãe.
Assis (2007) nos chama a atenção no sentido de que as questões afetivas encontram-se sempre na base da compreensão do mundo, da criatividade, etc, sendo fundamentais para o conhecimento e para a prática da aprendizagem cultural, social e escolar.
Outro aspecto importante a destacar-se sobre a afetividade na teoria da psicanálise são os fenômenos transicionais desenvolvidos por Winnicott, que são fenômenos que ocorrem na passagem que gera desenvolvimento, que permite uma relação com um objeto transicional. Por exemplo, na falta do seio materno a criança coloca a mão ou até mesmo objetos na boca para satisfazer suas pulsões orais e esta estabelece ligações afetivas com o objeto, que representa para a criança a sua mãe, na qual pode depositar suas pulsões.
Diante disso, Assis (2007) destaca a “importância afetiva dos objetos como a chupeta, que representa o conforto do seio da mãe, e o cobertor do qual não se separa na ausência desta, pois representa a sua proteção, a sua presença”.  Sendo assim, os objetos que “substituem” a mãe são importantes, pois representam a transição da dependência total da mãe para uma pequena autonomia que permite a criança viver sem a presença da mesma, embora inicialmente a representando por um objeto.
A figura da mãe nesse processo é muito importante, pois é esta que proporciona espaço para que a criança aos poucos entre em contato com a realidade. A mãe deve oferecer a criança todo afeto e proteção necessária, mas sem exagerar e cair na superproteção, doses de frustrações são necessárias para o desenvolvimento da criança.  
(...) a afetividade é parte importante e integrante do processo de aprendizagem, já que ela acompanha o desenvolvimento cognitivo da criança. Portanto, cabe ao professor estabelecer relações afetivas com os alunos para que elas facilitem o processo de ensino-aprendizagem. (LACOMY, 2007, p. 70)
Em um sistema de ensino e aprendizagem, deve-se levar em consideração fatores afetivos de modo a tornar a interação com o educando mais flexível e adaptável. (RELVAS, 2008, p. 96).


Brincar: um ato de aprendizagem

Pode-se dizer que o brincar possibilita que a criança vá até o outro, viva suas experiências e volte ao seu eu. Interligado com o item anterior, onde falamos da afetividade, o brincar é a maneira mais fácil e real para se estabelecer relações afetivas com a criança, estabelecendo e transmitindo confiança e segurança.
Oliveira (2007) afirma que “(...) ao brincar e jogar, a criança fica tão envolvida com o que está fazendo que coloca na ação seu sentimento e emoção”.
O brincar é sempre uma experiência essencial para a vida, criativa e real para a criança que brinca, podendo até tornar-se assustadora para ela, inclusive porque mobiliza seus conteúdos inconscientes. (...) Como o brincar fica na linha divisória entre o subjetivo e o objetivo, entre o que é interno e o que é externo, entre a ilusão e a realidade, está relacionado às experiências vividas pelo bebê com sua mãe. (ASSIS, 2007, p. 76)
Uma característica impressionante de um brinquedo é a maneira incansável pela qual a criança repete a mesma coisa por muitas vezes.

O brincar na epistemologia genética

A medida que as crianças crescem no ato de brincar, segundo Pickard (1975), passam por três estágios nítidos que se superpõem. Durante os primeiros dois ou três anos, a característica mais visível é a da atividade física, que abrange o que Piaget denomina o reconhecimento sensório-motor dos objetos, onde as crianças estão aprendendo a se orientar para o mundo. Que vale a pena recordar que este meio ambiente consiste primeiro da mãe e em seguida, dos objetos e das outras pessoas.
Cerca de três ou quatros até os sete anos, a fantasia é acrescentada a atividade física. Nesse estagio a criança usa de certas coisas como indicadores de fatos, utilizando de símbolos.
O terceiro estagio começa aos sete anos, inclui também atividade física e fantasia, é uma fase conhecida como banco, porque a criança já começa a ficar mais independente e sentem prazer em estar juntas com outras crianças, estabelecem regras e segredos.


 O brincar na neuropsicologia

Segundo Relvas (2008) “O cérebro necessita de estímulos. As células nervosas quando excitadas produzem neurotrofinas, moléculas que estimulam seu crescimento e reação”.
Autora acrescenta ainda que para que isso aconteça, um princípio básico é fugir da rotina, pois o cérebro cria hábitos e acaba caindo no “piloto automático”, sendo assim o brincar na vida da criança estimula e ajuda a sempre exercitar o cérebro com diferentes desafios que dificultam a criação de hábitos.
A plasticidade cerebral é o ponto culminante da nossa existência e desenvolvimento da vida, da qual depende todo o processo de aprendizagem e também reabilitação das funções motoras e sensoriais. (RELVAS , 2008)


Ensinar e aprender nas diferentes fases do desenvolvimento

Vê-se nesse ponto, a necessidade de diferenciar educar de ensinar. Segundo Balestra (2007) “Por educar entendemos atuar junto ao sujeito visando seu integral desenvolvimento; já ensinar – para nós- é agir de forma a possibilitar ao educando o acesso ao conhecimento, intermediando sua busca por novos horizontes em direção à cidadania”.
Na epistemologia genética o desenvolvimento do ser humano aconteça é necessário que a passagem de um conhecimento inferior e mais pobre para um saber mais rico. A epistemologia genética investiga as raízes do conhecimento, seguindo sua evolução, desenvolvimento e a estruturação do pensamento científico.

Piaget identificou os seguintes estágios a formação da inteligência, ou seja, o desenvolvimento:

• Sensório-motora de 0 ano a 2 anos: a criança não distingue o mundo, é voltada para o eu, cheio de egocentrismo;

• Simbólica de 2 anos a 7-8 anos: apresenta o uso da linguagem para se comunicar e da capacidade de representação de ações, redução do egocentrismo;

• Operatório concreta de 7-8 anos a 11-12 anos: a criança passa a raciocinar e analisar e acentua o crescimento intelectual;

• Lógico formal a partir dos 12 anos:  o individuo usa dos raciocínios sem mais precisar do apoio do real, opera mentalmente sem a mediação do concreto;


Na psicanálise, Freud constatou em suas observações clinicas que o desenvolvimento da personalidade da criança e do adolescente ocorre devido as pulsões sexuais, que pelo fato de estar em desenvolvimento na criança são conhecidas como fases do desenvolvimento psicossexual:

• Oral de 0 a 2 anos: o prazer que o bebe experimenta e de satisfazer sua necessidade de se alimentar, começa a perceber o mundo através dos lábios;

• Anal de 2 a 3 anos: a maturação orgânica permite à criança o controle dos esfíncteres anal e uretral. A criança sente satisfação de efetuar esse controle e o poder de agradar ou não a mãe através da retenção ou expulsão das fezes;

• Fálica de 3 a 7 anos: nesse período a criança começa a dar importância por ter um pênis ou não. Aparece então o complexo de Édipo, ou seja, quando a menina se diz namorada do pai e o menino o namorado da mãe;

• Latência de 7 a 12 anos: interesse da criança em conhecer tudo que a cerca, basta somente que lhe ofereçam condições para que a aprendizagem ocorra;

• Genital a partir de 12 anos: o complexo de Édipo pode aparecer novamente trazendo consigo crise de identidade, é uma fase de conflitos.
Conforme Assis (2007, p. 46) Freud afirma que é bom os educadores terem em mente que a vida adulta é decorrência do que acontece na infância (...) os educadores não podem deixar de conhecer seu aluno. Eles têm que saber quem é ele; quais são suas características especificas; quem é a família dele; se ele está crescendo e se desenvolvendo bem; (...) como é o seu relacionamento com sua mãe, seu pai, seus irmãos e os demais familiares (...).

Na neuropsicologia, conforme Relvas (2008) a criança logo após o seu nascimento, já tem quase todos os neurônios que precisará por toda a sua vida, estes se expandirão e se organizarão em grandes redes de processamentos. Os primeiros anos de vida da criança são fundamentais para o seu desenvolvimento.
Acrescenta ainda que as emoções e o equilíbrio psicológico dependem do exercício cerebral realizado desde o primeiros minutos de existência até a adolescência.


 A cultura, a sociedade e a família na aprendizagem

A criança é social desde o primeiro dia de vida, logo já sorri para as pessoas e sempre procura o contato com o outro. Os bebes são dependentes e tem a necessidade da companhia de alguém. Conforme Piaget (1896-1980) a criança não conheci regras, mas através da adaptação, feita pela assimilação dos outros, o que lhe dá a acomodação, uma compreensão mútua baseada nas palavras e na disciplina.
Segundo Assis (2007) a psicopedagogia hoje é um ramo que se preocupa não só com o aluno e sua família, mas com tudo que os cerca, influencia e constrói: a escola, a comunidade, os professores e toda a equipe onde a criança está envolvida.  É preciso considerar a importância social e cultural, pois é visível a vinculação entre o aprender e as necessidades, valores e sonhos.


Psicanálise

Uma questão essencial e fundamental citado por Assis (2007) “inter-relacionamentos pessoais e sociais para a constituição do sujeito e para o desenvolvimento de sua personalidade, pois (...) é o afetivo que dá energia e motivação para a vida, para o desenvolvimento e para a aprendizagem”.
Conforme Assis (2007) Winnicott elegeu como foco principal de suas pesquisas a importância da cultura e do social para a constituição do individuo. Sendo assim, as relações familiares são consideradas, fundamento da constituição e do desenvolvimento do bebê e da criança. A relação da materna é de suma importância, pois a organização do “eu” da criança acontece pelo fato de existir laços estabelecidos com a mãe.
Diante desses aspectos, inclusive do afeto, Winnicott voltou os seus trabalhos para a compreensão do desenvolvimento infantil e para a educação, em especial os aspectos culturais, sociais, familiares, emocionais e afetivos em constantes interações e construções.
Os estudos de Pichon-Revière, psiquiatra e psicanalista argentino, trouxeram muitas contribuições importantes para a educação, pelo fato do seu foco ser nos aspectos culturais, sociais e institucionais. Desenvolveu a teoria do vínculo que são estabelecidos nas relações interpessoais e refere-se a maneira como cada um se relaciona com o(s) outro(s).
A criança recebe influencia da família, da comunidade na qual a família está inserida, assim como a escola exerce uma influencia sobre a mesma. 


Neuropsicologia
A memória é a base de todo o nosso saber, Relvas (2008) afirma que todo o nosso cérebro funciona através dela, só comemos, andamos, falamos porque memorizamos e sabemos como devemos fazer. É um fator muito importante pois está ligada a aprendizagem e à capacidade de repetir acertos e evitar erros.
O processo de memorização é complexo e envolve varias estruturas, reações químicas e circuitos interligados de neurônios. Um fator muito importante citado por Relvas (2008) “(...) deve o professor analisar o tipo de conhecimento que é passado ao educando e direciona-los para o tipo de memorização a ser feita ou decorada”.
Diante dessa linha de pensamento, evita-se o esgotamento da memória dos alunos, facilitando que reconheça o que realmente precisam saber sobre determinados assuntos.

 
Os educadores precisam ter a clara consciência de que quando a criança na escola transfere a imagem que tem da mãe para a professora, que são referência e exemplo. Precisam perceber principalmente na prática psicopedagógica, que a criança tem total dependência em relação à sua mãe e à sua família para construir um mundo interior que lhe seja favorável e gratificante.
Ressalto a importância do psicopedagogo tanto na avaliação quanto na intervenção na sua atuação no que se refere a afetividade, as relações interpessoais, brincadeira educacionais e na criação de vínculos.
Conclui-se que o papel do professor, frente ao brincar, consiste em zelar para que o dia do aluno contenha períodos suficientes de atividades e de quietudes destinadas à aprendizagem, contribuindo para o desenvolvimento de crianças ativas, firmes e em desenvolvimento.
Os educadores precisam ser estimuladores de aprendizagem nos alunos, proporcionando estímulos que ajudam na utilização e desenvolvimento da memória dos alunos. Sendo um ponto de referencia que ajuda o educando a encontrar arquivos na memória que ajudam na memória principalmente a associativa, utilizando de estratégias Mnemônicas e procedimentos pedagógicos.
A Psicanálise auxilia o psicopedagogo a estabelecer relação com o individuo que ele atua. Cada um tem sua particularidade e precisa de uma metodologia especifica para se interagir, sendo assim cabe ao psicopedagogo identificar a melhor metodologia a ser utilizada.   
Concluo propondo uma reflexão sobre a grande importância do psicopedagogo na sociedade atual, onde ter conhecimentos é um diferencial no mercado competitivo e é nesse processo de obtenção de conhecimento, através do ensino-aprendizado que esse profissional atua. Cada dia vê-se a necessidade de um profissional que atue com as dificuldades, principalmente das crianças, onde os pais na correria do dia-a-dia confiam muitas vezes somente aos educadores essa grande tarefa de educar.




Fonte: http://www.psicopedagogia.com.br