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sábado, março 03, 2012

RECORTE, DESENHO, PINTURA- Auxílio em Atividades de Vida Diária – Material Escolar e Pedagógico Adaptado- PARTE 1

*  Rita Bersch
Rosângela Machado

E xiste uma área da TA que se ocupa com o
desenvolvimento de recursos que favorecem
funções desempenhadas pelas pessoas com
deficiência em seu cotidiano, buscando que as realizem
com o melhor desempenho e independência possível.
Desde o amanhecer até o fim de nosso dia
executamos muitas funções que fazem parte de nossa
rotina: acordamos, fazemos a nossa higiene, vestimos
a roupa, preparamos nosso alimento, nos alimentamos
e saímos de nossas casas. Na escola ou trabalho uma
nova lista de atividades ou tarefas se apresenta e, sem
nos darmos conta, realizamos uma após a outra até o
final do nosso dia, quando retornamos para casa e
vamos descansar.
Um aluno com deficiência física pode ter
dificuldade em realizar muitas destas tarefas rotineiras
na escola e por isso depende de ajuda e cuidados de
outra pessoa. Não participando ativamente das
atividades escolares, ele fica em desvantagem, pois não
tem oportunidades de se desafiar e criar como seus
colegas. É muito freqüente encontrarmos alunos que
assistem seus colegas e não podem ser atores do seu
processo de descoberta e aquisição de conhecimento.
Quando falamos em tecnologia assistiva,
significa que desejamos resolver com criatividade os
problemas funcionais de pessoas com deficiência e
nos remetemos a encontrar alternativas para que as
mesmas tarefas do cotidiano sejam realizadas de outro
modo. Para isso podemos introduzir um recurso que
favoreça o desempenho desta atividade pretendida ou
podemos modificar a atividade, para que possa ser
concluída de outra forma.
1. Resolvendo com criatividade
problemas funcionais
A partir de agora descrevemos várias
situações reais que fazem parte da rotina escolar e
apresentamos alternativas e recursos que foram
aplicados nestes casos. Esperamos que este material
sirva como fonte inspiradora para tantos outros
recursos e alternativas que ainda surgirão.

Vejamos alguns exemplos:
 
Recorte
Na educação infantil todas as crianças estão
se desafiando no uso da tesoura. Alguns alunos
possuem maior facilidade, outros ainda mostram
dificuldades, mas todos estão orgulhosos de seus
feitos. Nesse caso, o menino com deficiência física
não poderá participar da atividade de recorte e
colagem, a menos que consigamos uma tesoura
diferente para que ele possa manejá-la com a habilidade
que possui (fechar a mão ou bater a mão). Encontramos
ou construímos uma tesoura adaptada para nosso
aluno, mas ele ainda não consegue manejar
simultaneamente a tesoura e o papel. Nesse caso,
mudamos a atividade, que de individual passa a ser
coletiva: o grupo de alunos trabalha junto e um colega
segura o papel, o outro usa a tesoura, o outro passa a
cola e juntos fazem a colagem.

Figura 1 – Tesoura adaptada com arame revestido.

Figura 2 – Cortando com a tesoura adaptada.

Figura 3 – Tesoura adaptada em suporte fixo.

Figura 4 – Cortando com a tesoura em suporte fixo.

 
Fugira 5 – Tesoura elétrica ativada por acionador.
A tesoura mola exige somente o movimento
de fechar a mão (figuras 1 e 2) (www.expansao.com);
a tesoura mola sobre suporte fixo, exige somente o
movimento de bater a mão (figuras 3 e 4). A tesoura
elétrica é controlada por acionadores (figura.5) (www.
ablenetinc.com e www.clik.com.br).

Desenho e Pintura
Outras atividades muito freqüente na escola são
o desenho e a pintura. Através dele o aluno representa seu
entendimento, seus sentimentos etc. Nesse caso podemos
enfrentar o problema de manejo do lápis, giz de cera ou
pincel, que exigem uma habilidade motora fina. Além de
manusear estes instrumentos o aluno fixa, com a outra
mão, o papel no qual vai desenhar. Esta tarefa pode ser
muito difícil para algumas crianças e podemos pensar em
alternativas para lhes auxiliar.
A primeira idéia seria a de fixar a folha com fita
adesiva ou em uma prancheta. Precisamos verificar qual a
habilidade de preensão da mão deste aluno e escolher uma
alternativa como um engrossador para o lápis ou pincel.
As fotos que seguem ilustram algumas alternativas
possíveis:
A “aranha-mola” é um arame revestido, onde os
dedos e a caneta são encaixados. (www.expansao.com)
(Figura 6)
Figura 6 – Aranha-mola.

Os movimentos involuntários podem ser
inibidos por uma pulseira imantada. Na caneta, um
engrossador de borracha também facilita a preensão e
escrita. (Figura 7) (www.expansao.com).

 
Figura 7 – Pulseira imantada.

Um engrossador de lápis pode ser feito com
espuma macia (Figura 8) e órteses podem melhorar a
posição da mão do aluno e ainda conter um dispositivo
para fixar o lápis. (Figura 9) (www.expansao.com).
Figura 8 – Engrossador de espuma.
Figura 9 - Órtese.

Várias adaptações podem ser confeccionadas,
utilizando-se materiais que originalmente tinham outra
função. Uma bola de borracha encontrada em farmácias
e que faz parte do “sugador de leite” pode tornar-se um
recurso ótimo de adaptação do lápis. (Figura 10)
Figura 10 – Adaptação de borracha.

Podemos confeccionar engrossadores de
lápis, pincéis, giz de cera, rolo para pintura e tubo de
cola colorida, utilizando uma espuma encontrada em
ferragens e que, originalmente, serve para o
revestimento de encanamento de água quente. Esta
espuma é vendida em metro e a encontramos em
vários diâmetros. (Figura 11)